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sábado, 8 de novembro de 2008

Falta um ano.

A ansiedade é cada vez maior, a ansiedade de sair daqui...para sempre talvez...ai quem me dera.
Estou farta de não acabar um jantar sem uma discussão, da minha opinião não ser aceite e reconhecida, tudo por um jogo de interesses individuais. Tenho vontade de me afastar destas pessoas. Estas pessoas deram-me vida mas não me deram a vida. Estas pessoas nem parecem parte de mim. Cada um gira em torno do seu próprio ego e se eu lhes peço que não o façam, que parem e pensem, chama-me ingrata. De repente a deslocada sou eu, e não eles. Eu não sirvo, eu não encaix, eu não percebo. Então a ansiedade aumenta mais um pouco. Quero pegar nos pertences que me fazem mais falta, como as fotos e as recordações, pedaços daquilo que poderiam ser vidas, histórias e promessas, estivesse de viagem sem olhar para trás. Vou ter saudades tuas, e tuas, e tuas e dele e deles e dela e delas e de todos... os que sabem que eu vou ter saudades suas. Afinal nasci no porto, quero morrer no porto. Mas já não consigo viver no Porto. Preciso de acordar num sitio diferente, cheirar uma brisa diferente de manhã, preciso que nesse lugar até o calor e o frio sejam diferentes dos daqui. Preciso de um mundo completamente novo para respirar livremente tudo o que me espera e me sorri. Olho em frente e sóvejo felicidade apesar de tudo, estarei correcta? Olho para trás e sorrio, por tudo o que foi bom e desespero por deixar tudo o que é mau.

Esta é a primeira vez que escrevo ao fim de cerca de meio ano e não sei se estarei a fazer sentido mas a necessidade falou mais alto. Afinal, pôr em palavras o que nos escorre da alma é muito mais apaziguador do que guardar para dentro, sufocando a dor, espremendo a mágoa, tudo dentro do mesmo coração.

Quando era pequenina queria ser veterinária junto com a minha melhor amiga. Ela hoje está casada, e grávida do primeiro filho. Eu estou mais que solteira e minto a mim mesma se acho que já dei o que tinha a dar. Quero ir de chinelos nos pés, t-shirt e calções, mochila ás costas e câmara na mão. Tu vais estar comigo Fátima. Neste momento do meu percurso também desejo ligeiramente que venhas a poder estar comigo, ó tu, que és como eu, amor.

E no final de tudo, quando o mundo já tiver mostrado tudo de si, e só falte nós criarmos o que há-de haver para os que se seguem verem, aí sim... vamos acampar no meio de nada e fumar o nosso, a ver as estrelas que continuam a observar-me.


("I know someday i'll have a beautiful life." black- staind)

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